Última atividade pública do ano de 2022, o 8º Forum IBTeC de Inovação, realizado na tarde 1º de dezembro, contou com grandes nomes do mundo corporativo e universitário. Com o objetivo de proporcionar aos participantes visões acadêmica e corporativa do tema, o Forum apresentou informações sobre a inovação e a interação entre os dois universos, com destaque para cases de sucesso na região calçadista.
A palestra de abertura do evento, “Ecossistemas de inovação: experiências em desenvolvimento”, foi apresentada pelo professor Doutor Jorge Audy, Superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUC/RS e Tecnopuc.
Ele fez um uma retrospectiva da inovação na sociedade moderna, lembrando que as comunicações digitais tiveram como berço as atividades militares. É neste mundo que surgem as primeiras tecnologias, que depois são transferidas para o uso da sociedade. Lembrou que é na década de 1970 que os computadores começam a ser usados para fins não militares, transferido para a sociedade civil os benefícios desta tecnologia. É assim que nasce o conceito de tecnologia dual, que pode ser usada tanto para fins militares quanto para a sociedade civil.
Sobre a digitalização de dados e de comunicação, os primeiros movimentos datam da década de 70, quando surgiram os microcomputadoreslembro9uo o palestrante, que fez um relato de toda a evolução da Inteligência Artificial, até chegar ao momento que vivemos hoje.
Nos anos de 1980, a rede de internet começa a ser usada para fins duais.
O professor lembrou que uma das coisas que a pandemia mais acelerou no mundo foi a transformação digital nas empresas. A necessidade de comunicação a distância levou todos os segmentos da economia para o mundo digital, inclusive áreas que a gente jamais imaginaria que iriam aderir a um sistema nestes níveis”.
Como as empresas tratam o assunto inovação, e como elas podem usar os ambientes de proporcionados pelas universidades, especialmente nos hubs de startups, para desenvolver projetos colaborativos, foi um dos tópicos da palestra. Na concepção do Dr. Jorge Audy, “o futuro é da colaboração, e o sucesso só se dará a partir da formação de redes colaborativas, para empresas de todos os segmentos”.
Jorge Audy apresentou alguns dos projetos nos quais o Tecnopuc está envolvido, como o Pacto Alegre, projeto de digitalização da cidade de Porto Alegre; Instituto Caldeira, South Summit, a Marca de POA, Inova.RS e Pacto pela Educação RS., São projetos que mostram como é possível trabalhar inciativa privada, universidade e governos municipal e estadual para acelerar a economia de uma região.
Inovação é a aplicação de alguma nova solução que transforme a realidade existente. E inovação não exige a digitalização, esclareceu o professor Jorge Audy.
Ele finalizou que qualquer realidade para ser transformada precisa de atenção à educação, e salientou que “a educação é a base de tudo, e só teremos evolução se tivermos muitos investimentos na transformação da educação”.
Na sequência, a gerente de negócios para a Região Sul do Grupo FI, Luana Bendo, falou sobre “Incentivos para promover e acelerar a inovação nas empresas”. A palestrante é bacharel em Química pela Universidade Federal da Santa Catarina e Mestre em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade de São Paulo. Atuou na área acadêmica como pesquisadora no desenvolvimento de polímeros e biomateriais para aplicação essencialmente na área médica. Atualmente, atua com fomento à PD& a partir de consultoria em incentivos fiscais, financeiros ou relacionados à importação. Atua na gestão integral de oportunidades em Inovação Tecnológica, especialmente na região Sul do Brasil.
A professora falou sobre os processos que envolvem a implementação de projetos de inovação dentro das empresas, e da importância da colaboração para que eles se tornem realidade. Relatou também formas de buscar recursos para a implantação de projetos de inovação nas empresas.
A gestão de inovação dentro das empresas, e a importância da organização das empresas para tornar realidade suas ideias também foi tópico abordado pela palestrante.
Como aproveitar a Lei do Bem dentro das empresas? A receita da palestrante é através da busca de grupos interativos, que atuem como apoios na busca de informações sobre as regras de incentivos com segurança.
A última palestra da tarde, sobre “Processos de inovação e geração de valor com a ISO 56002”, foi ministrada pelo professor da FGV, Gianfranco Muncinelli. Diretor associado da Intedya International Dynamic Advisors; sócio da Muncinelli Consultoria e Treinamento é professor em cursos de MBA em programas como FGV Management, UTFPR, PUC-PR e Steinbeis University (Berlin - Alemanha).
O palestrante salientou que a China, que foi citada pelo professor Audy como um dos países que mais investem em inovação a partir da escola, é o país que mais consome normas ISO.
Um sistema de gestão da inovação deve agregar valor à organização, e o gerenciamento é a chave para que este processo ocorra de forma assertiva. A inovação precisa agregar valor ao produto ou à organização. E qualquer sistema de gestão precisa ter consistência no comprometimento com melhoria contínua. Por isto a importância de que as organizações tenham um Sistema De Gestão Normatizado - SGN, como forma de controlar todos os seus processos, e planejar melhorias contínuas em seus processos.
Painel “Inovação e competitividade na empresa”
Para finalizar o 8º Forum IBTeC de Inovação, os empresários Andrea Kohlrausch – CEO da Calçados Bibi, e Marcelo Reichert, CEO do Grupo FCC, apresentaram os cases de suas organizações. Sob a mediação do vice-presidente executivo do Instituto, Dr. Valdir Soldi,
Andrea Kohlrausch abriu sua fala informando que a empresa nasceu em 1949 em Taquara, e foi pioneira na produção de calçados infantis no Brasil. “Nós só estamos vivos e competitivos em razão do tema inovação”, acredita a CEO da marca. Terceira geração na empresa familiar, Andrea assumiu a direção em 2019, mas lembrou que tem mais de 20 anos de atuação na Bibi, e vivenciou muitas transformações da empresa que tem se focado em antecipar o atendimento a desejos do consumidor, contribuindo inclusive para a formação do consumidor o futuro.
Lembrou que há 15 anos a Bibi decidiu ir para o varejo, e hoje tem 155 lojas exclusivas, que hoje já são OMNI, ou seja, oferecem atendimento digital, transformando o modelo de negócio do varejo para o Grupo. Esta foi a forma de garantir o alcance a todos os pontos de mercado de interesse da marca.
O ano de 2021 foi o melhor ano da história da Bibi, e 2022 deve ter crescimento de 37%, com resultados ainda melhores do que os do ano passado. A importância que a empresa dá à inovação é vista pela CEO como o principal fator impulsionador desta realidade de crescimento constante.
Há sete anos, quando Andrea assumiu como CEO, a empresa fez um planeamento estratégico, intitulado de Bibi 2030. A empresária afirmou que ao final de 2022 estarão sendo concluídas as principais frentes colocadas como metas para garantir os resultados projetos para 2030.
O sucesso dos resultados está diretamente ligado à importância que o grupo dá para a inovação dentro do negócio, acredita a CEO. Esta filosofia é sustentada pelo Programa Ninho da Inovação, criado há muitos anos, integrando fornecedores, todos os colaboradores, os franqueados e seus colaboradores. e eventualmente com a participação de grupos de consumidores, instituições de pesquisa e de educação.
No ano de 2022 a Bibi implementou 38 projetos que nasceram dentro do Ninho da Inovação, nas mais diferentes frentes da empresa.
O futuro dos nossos negócios pode depender da implantação da inovação de forma continuada, acredita a empresária.
O entendimento do Grupo Bibi é de que toda a empresa tem que introjetar a cultura da inovação. Todos os colaboradores são integrados no Ninho da Inovação, e têm suas ideias acolhidas, independentemente de sua área de atuação. O entendimento da Bibi, segundo Andrea Kohlrausch, “se a gente quer inovar a gente tem que criar uma cultura de inovação”.
Marcelo Reichert iniciou sua participação no debate falando sobre a empresa, que também é familiar, com mais de 25 anos. Ele representa a segunda geração no controle da indústria que nasceu como fabricantes de componentes para calçados e hoje é especializada em componentes e soluções para vários segmentos. De acordo com o CEO, a FCC é uma empresa que se reinventou totalmente. Fundada em 1969, era fornecedora de componentes para calçados, e hoje não nenhum um único componente para calçados. Hoje a empresa de ciências de materiais que cria novos tipos de m materiais, para diferentes segmentos, novos tipos de adesivos, polímeros, vedantes, que não existiam quando a empresa foi criada.
Citou exemplos como a argamassa polimérica que foi criada para a construção civil para substituir o cimento no levantamento de paredes. É uma solução que triplica a produtividade da mão-de-obra, traz redução média de 30% no custo da obra é seis vezes mais sustentável do que a argamassa convencional cimentícia. Citou ainda a startup criada pela FCC, que lançou uma linha de produtos para a impressão de produtos 3D que é fornecido em grãos, gerando redução de 20 vezes o custo de uma impressão 3D, se comparado com a tecnologia de filamento. E ainda possibilita a impressão 3D de matérias com um nível de maciez e elasticidade que nenhuma outra tecnologia propicia.
Marcelo Reichert anunciou os lançamentos para a Fimec de 2023, “a nossa linha Eco, são polímeros com percentual de matérias primas vindas de produtos renováveis em níveis inéditos no mercado, tanto TR quanto PVC”.
Lembrou que a FCC tem uma série de produtos desenvolvidos juntamente com a Bibi, uma das formas de atuação que faz parte da cultura da FCC. A inovação na FCC é feita com toda a equipe, e também em colaboração com clientes, parceiros e instituições de pesquisa.
A “dica” do CEO da FCC para empresas que queiram instituir um sistema de inovação em suas práticas, é de que em primeiro lugar a empresa defina seus objetivos, “porque quando se define um objetivo, a métrica e as metas são muito importantes”. Marcelo enfatizou que “há quinze anos nós vendíamos nossa inovação como lançamento de produtos. Nós tínhamos muito orgulho de dizer que a FCC lançava um novo produto a cada seis dias. Há oito anos começamos a questionar se isto media o que estávamos buscando. Então adotamos o mesmo indicador que a 3M usa ainda hoje, que é o percentual da receita que vem de produtos com menos de dois anos de idade. A FCC chegou a 3%. Mas de quatro anos para cá, a empresa começou a questionar se isto era realmente o que a empresa estava buscando, porque a idade de um produto não é o indicador do quão inovador ele é. Então, a empresa evoluiu e hoje a métrica é o percentual do nosso resultado que vem de produtos realmente inovadores, que transformam o mercado, mudam a forma de fazer as coisas, e criam novos mercados ou novas regras, independentemente da idade dos produtos. A meta para 2022 era de 13% do faturamento, e a empresa deve fechar o ano com 14%. Embora a visão tenha sido modificada a FCC acredita que eta é a forma como a empresa vai realmente mostrar o quanto é inovadora.
Palestrante internacional falou sobre “A influência de pesquisa em calçados para a melhoria de desempenho”
O professor emérito da Universidade de Massachussets Amherts e pesquisador, Dr. Joseph Hamill, foi o último palestrante do 8º Fórum IBTeC de Inovação. “Inovação e performance no calçado” foi o tema do professor que é referência no assunto locomoção humana, com ênfase na biomecânica da corrida, com o objetivo de determinar e analisar as causas das lesões. Hamill foi presidente da Sociedade International de Biomecânica e vice-presidente da Sociedade de Biomecânica do Esporte.
A pergunta que tem que ser feita, sobre os calçados para a prática de corrida, segundo o palestrante, é: a evolução dos calçados para a prática deste esporte mudou o desempenho dos praticantes? Hamill fez um histórico da evolução dos calçados de corrida desde o Império Romano. Foi a partir da década de 1970 que o mundo esportivo passou a se preocupar com calçados específicos para a prática de cada esporte. Foi exatamente nesta época que a Biomecância começou a influenciar o design de calçados, com foco nas pesquisas que eram direcionadas para o desempenho e lesão.
O palestrante informou que o desempenho de corrida é influenciado por aspectos fisiológicos, biomecânicos e ambientais.
Ainda de acordo com o Dr. Hamill, a Associação Internacional de Federações Atléticas tem uma regra que estipula que calçados não devem ser construídos para dar alguma vantagem injusta aos atletas. Por isto a preocupação com materiais e design utilizados na produção de calçados esportivos.
Na sequência, ele fez um relato sobre estudos feitos por estudiosos de biomecânica para apoiar os fabricantes de calçados a produzir os melhores equipamentos para os desportistas.